RENATA VEINERT Cerâmica Artesanal

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O FAZER COM A ALMA

O FAZER COM A ALMA

Sabe aquela expressão que fala sobre arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa? É exatamente assim que o trabalho com a cerâmica começa – amassando bem o barro para ativar a plasticidade da massa, sua maleabilidade; para que fique homogêneo, uniforme e sem nenhuma bolha de ar.


Aqui começa a magia: enquanto o torno elétrico começa a girar, Renata centraliza o barro. A partir de uma bola de argila molhada uma forma cilíndrica forma-se num sobe e desce. As mãos trabalham enquanto o barro gira. Uma gota de água a mais e tudo se transforma. A experiência permite trabalhar a espessura desejada, assim como criar formas e bordas com apenas um dedo e intensidades diferentes empregadas pelas mãos ou ferramentas. É como uma poesia - tudo que antes estava no plano dos sonhos, ideias e palavras passa a ser moldado agora em versos de argila.

"O tempo de secagem de cada peça varia conforme tamanho e espessura. E o clima do dia também influencia"

Agora é hora de deixar a peça secar. Ela precisa dar uma leve enrijecida até chegar no que se chama ponto de couro – o momento de dar acabamento na peça que aqui ganha textura, detalhes e complementos finais como alças e pés. Feito o acabamento a peça fica pronta para secar completamente até o ponto de osso – “o ponto mais delicado do processo, no qual a peça está mais frágil”, alerta a artista.
 

Respeitar o tempo de cada processo é importantíssimo nessa arte: “tempo de secagem de cada peça varia conforme tamanho e espessura. E o clima do dia também influencia”, explica Renata que acompanha de perto cada etapa do trabalho.

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"Tenho controle sobre o forno e suas temperaturas, mas a queima das peças sempre pode reservar surpresas e isso me fascina"

É chegada a hora da primeira queima – a queima de biscoito. Segundo a ceramista, essa queima leva em torno de seis a sete horas, é feita em temperatura mais baixa – cerca de 850°C - e o forno só pode ser aberto no dia seguinte. Agora a cerâmica já pode ganhar cor – depois da primeira queima ela está pronta para ser esmaltada.
Mais uma vez a peça de cerâmica volta para o forno. Agora ela é queimada em alta temperatura, a 1260°C, e leva mais horas até que o processo se conclua.


O grande final desse longo ciclo se encerra com essa última fornada: “tenho controle sobre o forno e suas temperaturas, mas a queima das peças sempre pode reservar surpresas e isso me fascina”, revela a ceramista. É nesse momento que, ao abrir o forno após a última queima, as surpresas são reveladas – as texturas são ressaltadas; os efeitos dos esmaltes aparecem e cada peça mostra sua identidade única e exclusiva.

"A cerâmica nos ensina muito a ermos humildade, a entendermos que não temos o controle de tudo. Mas com dedicação e atenção, é possível ir longe"

No ateliê da ceramista Renata Veinert, as mãos que produzem as peças, também são as mãos que vendem cada uma delas. Desde a idealização da peça, cada detalhe, cada momento do processo é cuidado única e exclusivamente pela artista: “a cerâmica nos ensina muito a termos humildade, a entendermos que não temos o controle de tudo. Mas com dedicação e atenção, é possível ir longe”.


E se todo esse processo pede tempo, a mágica fica por conta do resultado final: cada peça tem sua personalidade, diferentes texturas, algumas mais leves, outras mais pesadas. Todas as peças carregam um tanto de dedicação, calma, respeito, muito estudo e compreensão. Do barro nasce uma peça de cerâmica única, com beleza palpável.

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